segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NANA CAYMMI, A DONA DA VOZ

Há muito que eu não assistia a um documentário tão envolvente como “Rio Sonata”, de Georges Gachot (Suíça/2010, 85 min.), em cartaz por  curta temporada no Oi Cine Estação em Belém. Sim, em “curta temporada” é um jargão  que pertence aos  shows, recitais ou concertos e neste  filme cabe perfeitamente a expressão, pois vemos na tela um mosaico delicadamente bem trabalhado dos vários momentos de Nana Caymmi, desde  o início de sua  carreira até o presente. E sem dúvida, o documentário é um SHOW!


O nome Caymmi já tem  uma  força  musical definitiva , pois  é sinônimo de  boa musica brasileira no que  diz   respeito  a  letra  e melodia. A raiz  de  tudo está em Dorival Caymmi cuja bênção e dom  alcançou os  filhos Nana, Dori e  Danilo - intérpretes máximos  das composições do pai e de outros  grandes gênios  da  música brasileira como Tom Jobim, Vinícius  de Morais, João Donato, Gilberto Gil, Milton Nascimento entre  outros. A família Caymmi  documentário mostra a cantora em momentos de descontração e bem à vontade. Sua  vida  é a música e temos a oportunidade de ver Nana despida da aura de Diva  seja no cotidiano de seu lar ou no estúdio de gravação onde mais  parece ser  sua segunda casa. A vivência de Nana neste ofício chega a emocionar ela própria e a nós mesmos quando  relata sua  parceria com o irmão Dori.  tem tradição na música e na voz e o talento de Nana deu-se por  mérito próprio, quase um fenômeno hereditário  por assim dizer na tessitura grave da voz e no timbre inconfundível fluindo num misto de suavidade e força que enleva seus ouvintes e fãs. Tudo isso é  nítido e percebido através  do  filme.


As  imagens e planos  abertos de um Rio de Janeiro encoberto de névoa e chuvoso ou até mesmo ensolarado revelam a  relação de Nana com a cidade onde  nasceu e dão ao filme a cor  e a poesia cantada por  ela em canções consagradas  como “Saveiros” e “O Bem do  Mar”.

O documentário mostra a cantora em momentos de descontração e bem à vontade. Sua  vida  é a música e temos a oportunidade de ver Nana despida da aura de Diva  seja no cotidiano de seu lar ou no estúdio de gravação onde mais  parece ser  sua segunda casa. A vivência de Nana neste ofício chega a emocionar ela própria e a nós mesmos quando  relata sua  parceria com o irmão Dori.  


Não poderiam faltar os depoimentos de parceiros e amigos de música e profissão, mas o que pareceu um tanto fora do lugar foi a fala da cantora Mart’nália – com um carioquês difícil de entender (quase uma outra língua!) num depoimento mais do que ingênuo. Mas a atmosfera e o tom do filme ofuscam  este desafino dentro do conjunto. 
                                                                                                                                   
                                                                                
 O repertório mostrado  no filme não contempla tudo que Nana cantou e gravou. Seriam necessários talvez boa parte das 100 horas totais de material bruto das filmagens que Georges Gachot  registrou e editou para realização deste trabalho. Foram destacados os sucessos “Resposta ao Tempo”, tema da  minissérie “Hilda Furacão” (1997) e “Não se Esqueça de Mim”, em dueto com Erasmo Carlos. Não poderia ficar de fora “Só Louco”, de Dorival Caymmi  com Tom Jobim ao piano acompanhando Nana no registro de um encontro antológico. Como ela mesma  afirma ser uma  cantora que canta  “de tudo e  acha perigoso os  rótulos”, Nana se consolidou numa versatilidade de repertório que raramente encontramos em cantores brasileiros nos  dias de hoje. Entretanto, particularmente, senti  falta de “Só em teus  Braços”, de Tom  Jobim e “Se Queres Saber”, de Peterpan. Ambas as musicas parece que só se completam na interpretação e na voz de Nana.

                                                                                                                                     
O filme não deixa de destacar a importante figura de Dorival Caymmi e é quase impossível não se comover  no momento que escutamos um trecho de “Acalanto” na voz de Dorival Caymmi e Nana explica a gênese de sua carreira e de como nasceu predestinada a cantar.

Com uma câmera hábil captando imagens seja de pessoas simples ,  de rostos nas  janelas, de transeuntes pelas  ruas ou sentados  sob as marquises dos  prédios do Rio de Janeiro, seja nos lugares mais sofisticados como  as casas de shows e teatros temos a sensação de que  a música de Nana Caymmi alcança  a todos sem qualquer impedimento ou distinção.

“Rio Sonata” não é  apenas um documentário bem feito ou uma  breve biografia sobre Nana Caymmi, mas também é um emocionante espetáculo.

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